Mecânica

Pneus: calibragem, rodízio, TWI e a hora certa de trocar

Pneus: calibragem, rodízio, TWI e a hora certa de trocar

Calibragem: com o pneu frio e no número do carro

A pressão correta não é a que está escrita no flanco do pneu, e sim a que a montadora definiu para o seu veículo. Ela aparece em um adesivo no batente da porta do motorista (às vezes na tampa do tanque) e no manual do proprietário. Calibrar por esse número, e não "de olho", muda consumo, aderência e vida útil.

Um detalhe faz toda a diferença: calibre com o pneu frio, ou seja, com o carro rodado por menos de 3 km. O atrito da rodagem aquece o ar e eleva a pressão; se você calibra quente usando o valor de frio, o pneu ficará subcalibrado depois. O ideal é verificar a cada semana ou, no máximo, a cada 15 dias, e sempre antes de uma viagem longa.

Rodízio: fazer os quatro durarem juntos

Os pneus dianteiros e traseiros desgastam de forma diferente. Nos veículos de tração dianteira, a frente puxa, freia e esterça, gastando mais rápido. O rodízio periódico redistribui esse desgaste e faz o jogo durar mais de maneira uniforme. A recomendação geral gira em torno de cada 5.000 a 10.000 km, sempre confirmando o intervalo indicado no manual do veículo.

Uma boa hora para fazer o rodízio é junto com a troca de óleo, aproveitando que o carro já está no elevador. O padrão de cruzamento varia conforme a tração e se o pneu é direcional ou não, então vale seguir a orientação do manual ou do borracheiro. Aproveite também para conferir o estepe: pneu de reserva envelhecido ou vazio não resolve na hora do aperto.

Todo pneu traz um marcador de fim de vida: o TWI (Tread Wear Indicator), pequenas saliências no fundo dos sulcos, apontadas por um triângulo no flanco ou pelas letras "TWI". Quando a borracha da banda de rodagem chega ao nível dessas saliências, o sulco atingiu o limite.

E esse limite não é sugestão comercial, é lei. A Resolução CONTRAN nº 913/2022 proíbe a circulação de veículo com pneu cujo desgaste tenha atingido os indicadores ou cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 mm. A própria resolução aceita a comparação com o TWI como forma de comprovar a medida. Abaixo disso, a aderência em piso molhado despenca e o risco de aquaplanagem dispara.

  • Teste rápido: observe o TWI; se a banda nivelou com a saliência, é hora de trocar.
  • Limite legal: 1,6 mm de sulco remanescente (Resolução CONTRAN 913/2022).

A etiqueta do INMETRO ajuda a escolher

Na hora de comprar, o Programa Brasileiro de Etiquetagem de Pneus, do INMETRO, coloca na etiqueta três informações comparáveis: eficiência (resistência ao rolamento, que afeta o consumo), aderência em piso molhado, ligada diretamente à distância de frenagem, e ruído externo. As notas de A a G permitem comparar modelos: quanto melhor a letra na aderência, menor a distância até o carro parar no molhado.

Quando trocar, além do sulco

Sulco no limite é o critério legal, mas não o único. Bolhas ou deformações no flanco, cortes profundos, desgaste irregular (que aponta para calibragem errada ou suspensão gasta) e o envelhecimento da borracha também condenam o pneu. Pneu velho, mesmo com sulco aparente, endurece e perde aderência. Na dúvida, uma inspeção na oficina resolve.

Reparo de furo tem limite: só vale na região central da banda de rodagem e dentro das dimensões recomendadas. Corte ou perfuração no flanco condena o pneu, porque é ali que a estrutura flexiona. E calibragem crônica errada cobra seu preço no formato do desgaste: pouca pressão gasta as bordas, pressão demais gasta o centro. Ler esse desenho no pneu antigo ajuda a não repetir o erro no próximo jogo, e anotar a troca no histórico do veículo deixa o padrão de quilometragem à vista.

Fontes

  1. Resolução CONTRAN nº 913, de 28/03/2022 (pneus e limite de 1,6 mm)— CONTRAN (texto via LegisWeb)
  2. Programa Brasileiro de Etiquetagem de Pneus (PBE)— INMETRO
  3. Quando deve ser feita a calibragem do pneu?— Goodyear Brasil

Fontes consultadas em jul/2026. Os links externos abrem em nova aba.

Perguntas frequentes

É 1,6 mm. A Resolução CONTRAN nº 913/2022 proíbe a circulação de veículo com pneu cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a esse valor ou cujo desgaste tenha atingido os indicadores TWI.

O ideal é calibrar com o pneu frio, com o carro rodado por menos de 3 km. O ar aquecido pela rodagem eleva a pressão; calibrar quente no valor de frio deixa o pneu subcalibrado quando esfriar. Se precisar calibrar quente, considere alguns pontos a mais e confira depois.

A recomendação geral fica entre 5.000 e 10.000 km, mas o intervalo correto é o indicado no manual do seu veículo. O rodízio uniformiza o desgaste e faz o jogo de pneus durar mais.

Circular com pneu abaixo de 1,6 mm de sulco ou com o desgaste no nível do TWI é proibido pela Resolução CONTRAN 913/2022, além de ser um risco de segurança real, sobretudo em piso molhado.

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Redação AutoPlaza Academy

Conteúdo produzido pela redação da AutoPlaza e revisado com base em fontes oficiais e técnicas. Atualizado em 16 jul 2026.

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